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"Saber gerir para melhor consumir"
12-02-2012 17:52
“Saber gerir para melhor consumir” é de facto um dos grandes dilemas dos nossos tempos. Deixámos de fazer aquilo que os nossos pais fizeram e fazem, ainda, automaticamente: Poupar - porque aprenderam às suas custas e por força das circunstâncias.
Antecipando para agora aquilo que deveríamos conseguir, apenas, no futuro, é estar a dinamitar os alicerces duma estrutura que se quer minimamente sólida, prescindindo, claro está, dessa poupança. Esta é uma das causas para o que estamos a viver nestes dias. Não quero com isso dizer que só se deva poupar e deixar de consumir. Não! O consumo faz-nos bem, faz bem à nossa economia e faz-nos avançar e crescer. No entanto, esse custo de oportunidade pode ser tido de forma racional. Um consumo consciente e racional implica que pensemos em:
- Questionar, constantemente, acerca das nossas compras – Se tivermos que nos convencer, constantemente, a nós mesmos e aos outros, para efectuarmos uma determinada compra, então, se calhar, não precisamos de a fazer. Fazer aquela viagem ou ter aquele carro com que sempre sonhámos, pode causar uma sensação de liberdade e de bem-estar que passa rapidamente quando tivermos de pagar o custo implícito;
- Fazer compras emocionais – quando uma compra nos põe excitadíssimos, podemo-nos questionar acerca da relevância dessa compra. Nem tudo o que precisamos é, de facto excitante. Ir ao supermercado, pagar as contas da água ou da luz, não é excitante, muito menos pagar a hipoteca ou o empréstimo do carro, etc.. A questão coloca-se quando andamos às compras a fazer terapia do dia-a-dia, ou compramos o último modelo duma marca de automóveis ou de um portátil ou de outra coisa qualquer. Foquemo-nos na sensação que iremos ter quando percebermos que não conseguimos sustentar essa compra e não naquela que antecede a esse mesmo acto. Se o fizermos, poderemos evitar muitos dissabores. Criando uma relação saudável com o dinheiro em vez de criar com as nossas coisas, fará com que tenhamos mais dinheiro e maior independência financeira;
- Não comprar na base do “Eu quero” – muitas vezes baseamos as nossas compras nesta base e não nas nossas necessidades. O marketing explora esse factor duma forma quase perfeita, criando a sensação de que precisamos, sempre, de algo mais moderno, mais bonito, mais estético, mais na moda, transformando-nos em escravos das marcas, desse mesmo marketing. Focando-nos na utilidade de cada uma das nossas compras é a atitude correcta;
- Não paremos de comprar, paremos antes de comprar – Lembremo-nos que podemos ser um consumidor racional. Lembremo-nos, que ambicionamos ter tudo mas que não somos donos de nada. Lembremo-nos, também, que todo o dinheiro que possamos ser donos deverá ser aquele que deverá ser usado na reforma, na educação dos seus filhos, na constituição de um fundo de poupança. Quando pretendermos efectuar uma compra, temos de responder, sinceramente, às seguintes questões:
- Preciso, realmente, disto?;
- Será que o que estou a comprar vale o preço?;
- Isto é útil ou é apenas “giro”?;
- Conseguirei comprar mais barato noutro lugar?;
- Daqui a seis meses o objecto da compra continuará a fazer sentido?
Ser um consumidor racional é saber, para além de outras coisas, quais são os limites de consumo, é saber distinguir a necessidade do acessório, é saber quais as consequências futuras deste acto.
Apesar de acreditar que o consumidor racional é um mito e que no limite todos somos traídos pelo nosso desejo, acabando por fazer aquilo que sentimos e não o que pensamos e dizemos, há formas racionais de contrariarmos esse desejo e nos aproximar desse mito. Estas são, apenas, algumas sugestões.
Por fim, se não conseguirmos fazer esse esforço, então resta-nos fazer as pazes com essa cultura do desejo e pagar a factura, sem remorsos, sem ressentimentos.
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