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Mais dinheiro, menos dinheiro
08-05-2012 21:20
No passado Sábado, falei com a Daniela – nome fictício que nos vai acompanhar nas nossas histórias reais. Dizia-me ela que tinha acabado de ir a uma casa de compra e venda de ouro. Trazia, outra vez, dinheiro na carteira e isso fazia-a sentir-se bem. Perguntei-lhe porque é que vendeu o ouro ao que me respondeu que estava a precisar do dinheiro para umas coisas e como não precisava do ouro, vendeu-o. Voltei a perguntar-lhe: que coisas? Respondeu que não tinha nada com isso, porque é dona da vida dela e podia fazer o que quisesse. Verdade, respondi eu.
Vender coisas das quais já não precisamos, é uma alternativa para fazer face a situações financeiras menos confortáveis ou em qualquer outra situação. Isso até eu consigo perceber e incentivar, mas o problema central não é esse. O problema é onde vamos despender aquilo que temos e da forma como o fazemos. Tapando um buraco cavando outro, não é tapar nada, é enterrarmo-nos nele. Isto é, se está com problemas financeiros e quando tem dinheiro na carteira o estoira quando o propósito é outro, ou seja, diminuir o seu buraco, esta é uma situação contraproducente que não faz sentido.
Quando a Daniela me diz que o que precisa é de mais dinheiro para resolver os seus problemas financeiros, ela quer dizer que precisa de os resolver e não que precisa de mais dinheiro. Confuso? Vejamos: ter mais dinheiro, não significa que deixe de ter problemas com as suas finanças, quer dizer que se não mudar a sua atitude e o seu comportamento, vai ter os mesmos hábitos de consumo. Se tiver maus hábitos de consumo, por muito dinheiro que lhe vá parar à carteira vai desaparecer da mesma forma como sempre desapareceu. Se não tiver maus hábitos de consumo, passa-se, exactamente, o mesmo. Só que neste último caso, tem mais opções, mais liberdade, mais …, muito mais. Portanto, mais dinheiro não vai resolver nada, pelo contrário, pode agravar, ainda mais, uma situação que, por si, já está degradada. Retenha esta frase: “o dinheiro desaparece por onde ele encontra menos obstáculos.”
Por pensar assim, a Daniela colocou-se numa situação frágil, mas que ainda tem solução. Quanto mais cedo perceber que mais dinheiro não é uma alternativa válida, mais depressa toma medidas correctivas para sair dela. Muitos continuam a pensar como a Daniela. Muitos já pagaram o seu preço. Muitos estão a pagar e muitos outros irão pagar um preço, demasiadamente, elevado. Mas a diferença entre os que já pagaram e os restantes, é que uma parte dos primeiros já percebeu o que tem de fazer e estão bem. Os outros vão hipotecar o seu futuro e o futuro da sua família. Espero estar enganado.
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