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Lição 5 – Investir em acções
05-10-2012 22:57
As acções são uma das muitas formas de aumentar o património. No entanto, deve ter, sempre, em mente o seguinte: não empatar recursos que lhe vão fazer falta para fazer face a despesas do dia-a-dia. Isto é válido para tudo o que já falámos e vamos falar, mas nunca é demais relembrar.
Uma das questões mais intrigantes que podem colocar acerca desta temática refere-se aos factores que influenciam o comportamento e o desempenho dos mercados bolsistas. São vários os factores, mas eu destaco os seguintes:
- Apresentação de resultados e criação de expectativas;
- Indicadores económicos;
- Acontecimentos inesperados;
- O humor dos investidores.
Nos dias que correm – 2012 – a volatilidade é grande e isso é causado por factores inesperados, mas sobretudo pela falta de confiança e incerteza que paira nos mercados e esta, reflecte-se na tomada de decisão dos investidores. Para quem começa a investir hoje em Bolsa, tem de estar ciente, ainda mais nesta altura do que em qualquer outra, de que pode perder dinheiro, daí que tenha de analisar, convenientemente, a alocação de recursos que vai fazer.
Como referi anteriormente, devemos diversificar os nossos investimentos para que a descida de valor de alguns activos seja compensada pela subida de valor de outros. Desta forma, está a diminuir o risco. Tentar prever para onde vai o mercado é inútil. “O mercado não se prevê, acompanha-se. E se quer aproveitar as oportunidades que os mercados apresentam, a solução é estar lá.”
Assim, para quem começa hoje a investir em Bolsa e para os outros, também, há que ter alguns conceitos básicos em mente. São eles:
- As acções representam partes de capital duma empresa, isto é, ao se tornar acionista numa empresa está a comprar parte dessa empresa, tendo direito à informação e, proporcionalmente, direito à parte do património e resultados, mas também parte proporcional do seu passivo;
- No curto prazo o desempenho de cada uma das acções e do mercado é condicionado ou catalisado pelo entusiasmo, medo, rumores, notícias, mas no longo prazo o que importa são os “fundamentais” dessa empresa, isto é, a capacidade de gerar valor, riqueza, resultados para o accionista;
- Investir em acções, no longo prazo é a melhor forma de não ser tão afectado pela inflação uma vez que tem tido rendibilidades superiores. Desde a segunda guerra mundial os índices americanos têm um retorno na ordem dos 10%, bem acima da inflação;
- Apesar de haver algumas acções que se comportam como o mercado, elas não são o mercado e por conseguinte, mais cedo ou mais tarde vão divergir positivamente ou negativamente;
- Certamente que já ouviu dizer que rendibilidades passadas não asseguram as rendibilidades futuras. De facto, é verdade. A capacidade de gerar valor e resultados duma empresa no passado, não implica que continue a fazê-lo no futuro;
- Olhar para o preço não diz se uma acção é barata ou cara. Por exemplo, o BCP tem uma cotação a rondar os 0,06€ - 0,07€ em Setembro de 2012, tendo atingido um mínimo de 0,059€ há pouco tempo. Isto é barato ou é caro? Os investidores dizem que é caro. Porquê? Porque têm dúvidas quanto ao facto de o BCP poder cumprir com os seus compromissos.
USD1400 para o ouro. É barato ou é caro? Se calhar é barato, porque a procura deste metal precioso está a aumentar nos países asiáticos, para além de ser um investimento de refúgio nestes tempos conturbados nos mercados financeiros;
- Uma das formas de se poder analisar a cotação de uma acção e concluir se é ajustada ou não, é recorrendo a uma série de indicadores financeiros que englobam as receitas, cash flow, resultados, etc., mas também comparar os mesmos indicadores e desempenho com os dos seus concorrentes directos;
- O mercado de capitais serve para financiar as empresas, isto é, quando uma empresa precisa de capital para crescer vai ao mercado e chama até si investidores que estejam dispostos a investir nela, mediante a apresentação de um projecto capaz de gerar valor para eles. À medida que vai crescendo e vai gerando resultados positivos, vai atraindo mais investidores que estão dispostos a pagar mais por cada acção. Por outro lado, se esses resultados não foram atingidos os investidores deixam de ter interesse em deterem essas acções e desfazem-se delas, vendendo-as, fazendo com que o preço caia;
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